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sexta-feira, 10 de maio de 2013

Campanha brilhante, mas com dois grandes senãos

Na terça-feira não se falava de outra coisa. E hoje ainda mexe. A nova campanha da Fundação ANAR em Espanha para ajudar a proteger crianças em risco tornou-se viral. De manhã o meu facebook estava cheio de posts com o vídeo, à tarde ouvi na rádio no caminho da vacinação do miúdo para casa e à noite voltei a ver o vídeo no noticiário.



A minha primeira reacção deve ter sido semelhante a muita gente. Fiquei comovida a pensar que afinal ainda existe esperança. Ainda existem pessoas neste mundo que genuinamente se preocupam com o mal que o ser humano faz ao seu próximo, em particular às suas crianças. Fiquei com a sensação de que esta campanha pode ajudar a salvar a vida de muitas crianças. E é possível que até tenha alterado para sempre a vida de alguém, de alguma criança maltratada.

Mas depois, ao longo do dia, fui pensando melhor nisto. É tão marcante que uma pessoa fica sempre a pensar nisso. E fez-se o clique. Então se eu em Portugal já levei com isto n vezes em algumas horas, e tudo muito bem explicadinho de como o outdoor funciona, será que em Espanha não está a acontecer o mesmo? Será que lá este vídeo explicativo não está a ser difundido? É que se estiver, a esta hora não deve existir um único agressor em Espanha que não saiba já que os cartazes com este menino são de evitar. A não ser que esteja enclausurado sem qualquer acesso ao exterior para não ter acesso a esta campanha. Mas nesse caso, a criança agredida também o está e o objectivo da campanha perde-se.

Segundo senão: mesmo que isto não tivesse sido espalhado aos setes ventos e nenhum adulto tivesse conhecimento do "truque", a criança ao ver o outdoor com o contacto para o ajudarem não tem a percepção de que o adulto que está com ela não consegue ver essa parte da mensagem. Vai virar a cara ao lado e não se vai atrever a chegar perto do telefone com medo.

Além de tudo isto, se repararem o vídeo que está no Youtube e que já teve seis milhões e tal de visitas em quinze dias não é da autoria da Fundação ANAR mas sim da empresa de marketing que trabalhou com ela, a Grey Spain.

Mas foi bom ver como as pessoas ficaram tocadas com isto e a acreditar que realmente iria ajudar muita criança. Pode ser que sim. Espero que sim.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Primeiro de Maio, segunda ensaboadela

Ena, ena, a gaja voltou!
Disse ao marido que estava cansada de tanto teclar, que a partir de agora tomava ele conta das ocorrências mas o bichinho não sossegou e tive que voltar. Desculpem lá qualquer coisinha...

Então vamos lá às novidades extra-horta. São tantas que tive que fazer uma lista e ordená-las cronologicamente para ver se não me perco. A primeira da lista é o relato do meu dia no passado Dia do Trabalhador, dia 1 de Maio. Sim, eu sei que já lá vai ao fundo mas apetece-me falar sobre isto, aguentem-se à bronca.

Portantos, estava eu na minha vidinha na terça à noite quando recebo a cusquice que era provável que o Pingo Doce fizesse qualquer coisa semelhante com os 50% de desconto em tudo do ano passado na quarta-feira. Achei estranho. Depois disseram que este ano tinha qualquer coisa a ver com o cartão Poupa Mais, que eu tenho. E pensei cá com o meu fecho éclaire. Ora bem, eu vou ter que me levantar de madrugada de qualquer maneira para alimentar o miúdo...

No ano passado soube da coisa eram seis da tarde do próprio dia. Ingénua que sou fui lá para bater com o nariz na porta e com o segurança a dizer que já não podiam deixar entrar mais ninguém que era a loucura. Este ano saí de casa toda pimpona a pensar que desta vez não me enganavam. Mas enganaram. Ou enganei-me eu porque não havia nada para ninguém. Muito reboliço à porta logo às nove da manhã mas muito carrinho de compras a sair vazio. Foi tudo ao mesmo. Pensei eu: "bem, já que aqui estou levo umas coisinhas que me fazem falta.". Pensei eu, e meio Portugal. Espertinhos, os senhores.

Levei duas ou três coisitas para a caixa e depois é que me lembrei que mais um bocadinho e fazia 40 euros para ter os dois euros no cartão (espertinhos....). Pus-me a fazer contas de cabeça. Não chegava. Eu para a senhora atrás de mim:
- Olhe, desculpe, vou só ali buscar mais uma coisinha, está bem?
- Está bem, já agora posso passar à frente que só levo este peixinho?
- Pode, pode.

Corredor 1: leite em pó. Corredor 2: azeite. Caixa, já deve chegar. Senhora da caixa:
- São 40,32€.
- Yessss! Agora queria descontar este vale de 1,50€ no leite se faz favor.
- Ah mas se fizer isso já não tem direito ao desconto no cartão Poupa Mais. E olhe que hoje 40€ dão 4€!
- E agora é que me dizem?! Então deixe lá o vale. À velocidade a que gasto leite amanhã já cá estou batida.

A isto se chama marketing de guerrilha com retroactivos. Sem mexerem um dedo este ano ainda lucraram à conta da campanha do ano passado. Só tenho a fazer-lhes muitas e muitas vénias e esperar um dia ter assim tão boas ideias que duram e duram e duram.

- Ah e tal, no dia do Trabalhador ninguém devia trabalhar.
- Ah e tal, coitadinhos dos empregados estão lá a receber o dobro ou mais.
- Ah e tal, são uns aproveitadores do Povo.
Sim, eu sei disso tudo.

quinta-feira, 21 de março de 2013

João e o pé de feijão

Ora viva pessoal! Isto por aqui anda meio chocho. Contudo chegou a primavera e não podemos deixar este dia em branco. Para assinalar a época já mudámos o cabeçalho. Mas mesmo assim acho que o início desta bela estação merece mais do que isso. Portanto aqui está mais um episódio da história d'Uma vaca na varanda (antes que este espaço fique descaracterizado com posts sobre novelas e memes da Internet, eh eh).

Na última intervenção da Fofuxa sobre a nossa horta-jardim de varanda ela estava desejosa pelos dias amenos da primavera para poder usufruir do conforto do arquibanco. Na altura falámos sobre a mesa que falta construir e como devíamos arranjar a parte da varanda reservada ao jardim. Posso adiantar que eu já tenho uma ideia arrojada para a área do jardim mas por enquanto vai ter que esperar. A horta ainda tem espaço para mais uma grande cultura.

O João e o pé de feijão

Outrora, em jeito de brincadeira, falámos em semear milho até ao teto. Ora, isso não cabe na cabeça de ninguém! Como sabem a varanda não apanha assim tanto sol que dê para amadurecer o milho. Em vez disso vamos semear feijão verde até ao teto. Nem mais! Assim como na fábula «O João e o pé de feijão» que tantas vezes ouvi contar na minha infância. É um bocado batota começar já no segundo andar, mas paciência, é o que temos.
Imagem de: The Doodle Diner.

terça-feira, 5 de março de 2013

O verdadeiro Harlem Shake

Informaram-me hoje que a praga do suposto Harlem Shake começou há cerca de um mês mas só soube que ela existia na passada quinta-feira. Chega-me o homem a casa para almoçar e diz que anda tudo maluco  e que toda a gente anda a fazer isso.

- Mas o que é isso?!
- É tipo um gajo a dançar uma música parva com pessoas paradas à volta e depois essas pessoas ficam malucas também e dançam todas parvas.
- Aahh... Então e isso está a virar moda?!...
- Moda?! É uma epidemia! Está por todo o lado!
- Realmente as pessoas entretêm-se com cada coisa...

Passou-se. Mas fiquei com a pulga atrás da orelha. Assim que tive dois segundos fui pesquisar. Pesquisando por "Harlem Shake" no YouTube levei logo com a epidemia no meio da testa. Pus-me a pensar que o ser humano não pode ter gerado tal monstruosidade do nada só porque sim.

Aprofundei mais a temática e fez-se luz. Já sei que vou super atrasada, que nestas coisas da internet dois dias é uma eternidade, mas pode ser que ainda ajude a sossegar alguma alminha que ande por aí atormentada com isto.

O verdadeiro Harlem Shake é um tipo de dança originário no bairro nova-iorquino Harlem em 1981. Os seus moradores encontraram neste tipo de dança uma forma de expulsar as más energias e viverem com mais boa disposição. O verdadeiro Harlem Shake é isto:


Isto é cultura. Isto é arte. Isto é magia.

Depois há o meme do Harlem Shake que acho que já dispensa apresentações. Acho que como afastador de más energias não deve ter grande resultados. É capaz é de afastar toda a gente num raio de 5 km. Aahh e tal mas é engraçado... NÃO! Aahh e tal é só uma brincadeira... NÃO! Querem brincar façam o pino ou dancem a macarena, isso é só parvo, mais nada.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A mulher com mais estilo da ficção portuguesa

Credo, já passaram 24 dias desde a última vez que dei ares da minha graça?! Mas onde é que eu gasto o meu tempo, senhores?! Como é que dantes conseguia vir aqui escrever todos os dias?! O que vale é o marido que vos tem vindo contar as novidades. Mas já se sabe, os gajos têm sempre conversas mais... de gajo. E já estamos a precisar de uma lufadasinha de estilo, bom gosto e coisas que nos levantem a moral.

Ora tomem lá!

Joana Santos

Desde a novela «Laços de Sangue» que só consigo ver novelas da SIC. Só Portuguesas. E muito graças a esta senhora, Joana Santos. A classe, o estilo, a postura, tudo de bom. Mas agora, na novela «Dancin' Days», com a personagem Júlia Matos ela chegou lá a cima, ao top. Primeiro porque faz um papel espectacular e passou a ser a minha actriz preferida de todo o sempre. Respect. Mas aquele guarda-roupa e sapatos, aquela maquilhagem e cabelo, aquela postura e confiança. Eu sei que é tudo ficção, que há uma grande equipa a preparar todos os pormenores do figurino, mas que faz bem à vista faz.

Júlia (Dancin' Days)
O nervoso miudinho que este vestido criou quando ela apareceu pela primeira vez com ele na novela. Foi o vestido com que ela regressou de Itália. E que grande regresso. Assim que lhe pus os olhos em cima perguntei-me logo onde será que arranjaria uma coisinha assim, e por quantos tostões. Mais tarde apercebi-me que esta reação foi a de muitas mulheres portuguesas. São paletes delas a perguntar na net onde se arranja este modelito, mas até agora ainda não sei a resposta.

E o bom que era acordarmos com este aspecto logo de manhã, todos os dias, sem ter que mexer uma palha? É que até nas cenas em que ela faz que acabou de acordar tem muito melhor aspecto do que eu tenho a meio da tarde. Sim, estou a roer-me de inveja. Mas também não faço muito para estar melhor. O meu guarda-roupa nos últimos tempos tem se resumido a calças de fato-de-treino e sweats. Sem acessórios. Sem maquilhagem. Sem unhas pintadas. Sem perfume. Uma desgraceira. Entrei naquele modo de o-meu-filho-ama-me-assim-como-sou mas não pode ser. Tenho um marido para quem parecer bem e sobretudo a mim.

Júlia (Dancin' Days)

Quem me ouvir falar até pensa que eu já tive este aspecto mas que a maternidade me mandou abaixo. Nada disso, basicamente sempre fui assim desleixada. O que eu precisava mesmo era de ir também uns mesitos para Itália, queimar os meus trapinhos todos e começar do zero. Mas com vontade. Aquela vontade que nos faz levantar às sete da matina para demorar duas horas a pôr cremes e bases e eyeliner e acessórios e enroladores de cabelo e saltos altos... Ok, fica para a minha próxima vida. Por agora contento-me em lavar as vistas com esta senhora um bocadinho a correr à noite.

Júlia (Dancin' Days)

E perguntam vocês: mas o que é que isto tem a ver com hortas? Nada! Mas também nem só de hortas vive uma mulher, certo?

Imagens de sic.sapo.pt.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Os nossos leitores são o máximo

Jesus, Maria, José! Há cinco dias que não damos notícias. Não pode ser! E aconteceu tanta coisas nestes dias... a Gabriela acabou, tivemos um temporal do caneco e mais outras coisas que não havia necessidade nenhuma, mas são desígnios do destino. Cenas cósmicas, como diz a minha amiga Ana. Enfim... já passou! Estamos cá é para animar a malta. Os cortinados de rede sombreira estão no mesmo sítio e a nossa horta de varanda continua linda!

Blogues do ano 2012

Como sabem, a primeira fase das votações para melhor blogue de 2012 terminou no passado fim de semana. Ficámos em sexto lugar na categoria Botânica, Horticultura e Jardinagem - um orgulho! E foi um orgulho por várias razões. Primeiro porque tivemos uma data de gente boa a dar-se ao trabalho de ir lá votar no nosso blogue e mostrar que nos acham uns tipos porreiros. Depois porque este espaço só tem meia dúzia de meses - literalmente - e já vai nestes voos tão altos ao lado de verdadeiros gigantes da blogosfera. Mas há mais! Fosse eu uma gaja atenta e teríamos entrado na corrida logo no seu início como os outros. É que não sei se estão a ver?! Apenas cinco votitos nos separaram do quinto lugar. Como diz o outro, faltou-nos uma bocadinho assim - pequenino - para passarmos à fase final.

Disse que entrámos na corrida só porque achámos giro, mas agora confesso que me teria dado um gostinho especial ver Uma vaca na varanda no top 5. Mas pronto, para o ano há mais e da próxima vez vou tentar estar mais atenta.

Muito obrigada cá do fundinho a todos os que nos seguem e que demonstraram o seu carinho.

Prometo que vamos continuar sempre em altas!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Vote no melhor blogue do ano

Caríssimos,

entrámos neste mundo da blogosfera há coisa de seis meses sem fazermos a mínima de onde nos estávamos a meter. Isto dá uma trabalheira descomunal, mas também serve para deitarmos cá para fora tudo o que nos apetece. E isso é bom.

Nesta altura do campeonato já fizemos muitos amigos, criámos ligações com pessoas que percebem mais de hortas e afins do que nós e sentimos que estamos no bom caminho. O apoio e carinho que os nossos leitores têm demonstrado fazem-nos pensar que devemos estar a fazer algo bom. Isso dá-nos ganas de levar tudo à frente e pôr as pessoas a criar hortas em espaços pequenos. Mas acima de tudo ficamos ainda com mais vontade de levar boa disposição a esta malta da pesada.

Blogues do ano 2012

Este parlapié todo para vos dizer que decidimos inscrever-nos este ano para melhor blogue de 2013. Não, ninguém nos nomeou. Não, não temos a mania. Apenas gostamos da ideia de, durante uma semana, pertencermos à mesma lista que grandes monstros da blogosfera. Para além disso, queremos dar uma oportunidade aos nossos queridos leitores de demonstrarem como já não conseguem passar sem nós (hihihi).

Agora a sério, achámos que era giro e pronto. Quem quiser dar-nos uma forcinha pode votar em nós em três categorias diferentes:


Podem votar uma vez por dia, em todas as três categorias, até ao próximo sábado, dia 19. Muito obrigada a todos pelo vosso apoio. Estamos cá para vos oferecer sorrisos. Ri-te macambúzio!

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Alecrim vs. Hortelã

Truz, truz. Quem é? Moi, Bob le bricoleur. Ah pois é! Aqui o construtor também fala francês. Aprendi com os emigrantes portugueses que deixaram este belo país e rumaram para o Luxemburgo em busca de uma vida melhor. Ah oui, hã. Qu'est que tu pense, trabalhar ne canse?! Faz calos!

Há mais de um mês iniciámos uma experiência com o alecrim e a hortelã. Colocámos um ramo de cada espécie num frasco com água e começou a extenuante tarefa de observar atentamente a magia da natureza. Qual das duas plantas será que criou raízes mais depressa? Será que o alecrim se aguentou?

Alecrim e hortelã num frasco com água

Pois bem, a corrida pela sobrevivência chegou ao fim e já temos os resultados. Na altura o Jardineiro do Rei deu-nos umas preciosas dicas de como propagar o alecrim, mas nenhuma delas envolvia o enraizamento "por mergulhia na água". Ainda bem. Assim não estragou a surpresa.

Tal como esperado a hortelã ganhou a corrida e bem cedo apareceram as primeiras raízes. Até aqui nada de novo. Mas o interesse da experiência era saber como se comportava o alecrim.

Após uma semana mergulhado em água as pontas das folhas do ramo de alecrim começaram a secar. Na altura pensei que a coitadinha da planta não resistiria à experiência. No entanto, durante todo esse tempo reparei que, contrariamente às restantes, as folhas do topo do ramo mantiveram-se sempre viçosas. Por isso sentei-me em frente ao frasco e esperei para ver o que acontecia. Ao final de meia dúzia de dias já não podia com a mulher a gritar-me que não fazia mais nada do que olhar para a horta, mas só vos digo que foi emocionante.

Raiz da hortelãRaiz do alecrim

O alecrim aguentou-se e apareceram as primeiras raízes. Foi a loucura, corri pela casa a gritar:
- OH MULHER, OH MULHER, ANDA CÁ VER ISTO!
Perante tanto entusiasmo a mulher largou tudo e correu para ver o que se passava.
- Ai homem, é grave? O que foi?
- Olha, olha... o alecrim já tem raízes!
A mulher colocou uma expressão carregada, olhou para mim com uns olhos de raiva e susteve a respiração. Ficou assim uns segundos. Ainda pensei que explodisse, mas não. Suspirou apenas e virou-me as costas.

Mas veem, funcionou!

Já a experiência com goji não correu lá muito bem. Eram mais que as mães mas morreram todos. É triste mas a vida continua. Tirei o ramo de alecrim da água e plantei-o no vaso do goji. Agora temos dois vasos com alecrim plantado, um diretamente e outro depois de enraizar num frasco com água. Vai ser mais uma experiência, vamos ver em qual dos casos o alecrim cresce melhor. Hi, hi. Vou-me sentar novamente em frente à horta para ver o alecrim crescer.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Resoluções para 2013

Credo! Três posts seguidos escritos pelo Bob?! Já achavam que ele tinha assambarcado aqui o pedaço, hein? Nada disso, tenho andado um bocado atarefada mas já estou de volta. E cheia de força para o novo ano que aí vem.

Bom ano de uma vaca na varanda

Chegámos ao último dia de 2012. Muita coisa aconteceu neste ano, como em todos os outros de resto. Para Portugal foi um ano para esquecer, mas ao mesmo tempo serviu para vermos o quanto os portugueses são unidos e solidários. Para muitos era o ano do fim dos tempos, que afinal não foi. Para a nossa família foi o melhor ano de sempre. Nasceu o nosso bem mais precioso e tudo mudou. Agora vivemos em função da sua e nossa felicidade. Já o fazíamos antes, mas agora parece que cada dia é uma dádiva e cada sorriso, nosso e dele, é especial.

Não costumo ser daquelas pessoas que chegam ao fim do ano e fazem a revisão do que correu bem e do que podia ter sido melhor. Nem de fazer uma lista das suas resoluções para o próximo ano. Vivo mais um dia de cada vez do que um ano de cada vez. Mas, como tudo tem uma excepção, este ano vou fazer a minha lista de resoluções para 2013. Não deve ser grande coisa comparada com as listas de quem já faz isto há anos com uma perna às costas, mas tenho que começar por algum lado.

Primeiro o básico, que deve constar de muitas listas:
  • Em 2013 vou fazer mais exercício
    Esta é fácil de concretizar. Basta fazer algo mais do que subir as escadas do prédio. Um abdominalzito bastava. Mas quero ver se consigo manter uma rotina. Não precisa de ser diária nem durar uma hora, mas que seja uma rotina que me ponha os ossos a mexer.
  • Em 2013 vou beber mais água e comer mais fruta
    A água a mim não me sabe a nada e a fruta é um bocado insossa e fria. Mas sei que só me vai fazer bem e já sou uma menina crescidinha para fazer o que tem que ser feito.
Agora algo mais específico para a minha condição (e que deve constar da lista de muitas pré-adolescentes):
  • Em 2013 vou aprender a andar de saltos altos
    Até ando em saltos de dois ou três centímetros, mas mais que isso já se torna complicado. Comprei os meus primeiros saltos de dez centímetros para um casamento este ano. Só os usei nesse dia e só durante a cerimónia. O resto do tempo usei sapatos rasteirinhos que com um bebé de dois meses na altura não podia arriscar a estatelar-me. Por isso, este ano vou ganhar coragem, e ensaiar muito para ter a confiança necessária para andar na rua de saltos altos e principalmente com uma boa postura.
  • Em 2013 vou aprender a fazer bolos
    É triste mas é verdade. Não sei fazer bolos que cresçam. Já tentei de tudo: carregar-lhe no fermento, bater a massa bastante, bater muito pouco, pôr o forno mais quente, o forno menos quente. Nada resulta. Vou pesquisar bastante, perguntar às cozinheiras da família e fazer muitas experiências. Hei-de chegar ao fim do ano com bolos de fazer inveja.
Para o fim deixo algo mais difícil de concretizar.
  • Em 2013 vou usar acessórios e maquilhagem
    Sou daquelas que com uma camisa e umas calças de ganga estou pronta a sair de casa. Sempre fui assim. Sou capaz de pôr uns brincos e passar um rímel quando o rei faz anos. Mas agora que estou definitivamente nos trinta isto tem que mudar. Não vai ser fácil. Penso sempre no tempo que não tenho e que é necessário para estas coisas. Mas vou-me esforçar.
Outra coisa que me lembrei de fazer para 2013 é, além de vir cá contar as novidades da nossa horta e da nossa família, todos os dias escolher uma palavra que defina como foi o meu dia ou o meu estado de espírito nesse dia e partilhá-la convosco.

Com ou sem listas a minha prioridade para o próximo ano e os seguintes vai ser dar todos os mimos do mundo ao nosso bebé e educá-lo o melhor que posso e sei.

Uma vaca na varanda deseja a todos um bom 2013, se possível muito melhor que 2012, senão, pelo menos que não seja pior. Um grande bem-haja para todos e até para o ano.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Não vi só a salsa crescer

Ora viva pessoal! Sobre o aniversário da minha mais que tudo, efectivamente não coloquei nada alusivo à data neste espaço. Contudo não me esqueci do dia! Logo pela manhã dei-lhe os parabéns e dei-lhe um beijinho. Para que saibam, depois da gracinha que a Fofuxa fez no blogue no dia do meu aniversário eu tentei engendrar qualquer coisa.
- Amor, o que é que tu queres para o teu aniversário?
- Oh! Não é preciso nada amor.
- Eh! nada?! É sempre assim.
- Pronto! Uns beijinhos chega.
Porreiro, uns beijinhos será! Mas mesmo assim ainda me lembrei de uma surpresa muito fixe. O problema é que não apontei logo o que era e esqueci-me. É pá, mas era mesmo muito fixe. Ainda tentei lembrar-me até ao dia do aniversário dela mas nada. Para tentar remediar a coisa, no dia anterior ainda aceitei a sugestão de uma colega nossa e preparei-me para lhe oferecer uma flor. À falta de melhor, uma flor resulta sempre como uma prenda, certo? No dia até tive que sair para tratar de uns assuntos, por isso tinha tudo para resultar. Porém saí de casa com a ideia na cabeça, tratei dos assuntos que tinha a tratar e na volta... esqueci-me da flor. Nisto dei-lhe apenas uns beijinhos. No momento ela estava a comer chocolate e respondeu-me que o chocolate era melhor. Como bom marido que sou, deixei-a saborear o chocolate em paz e fui à minha vidinha, como a tartaruguinha.

Aniversário à parte, que fique também claro que nestes dias não tratei só da horta e vi a salsa crescer. Apesar de ser apologista de dar chocolates a todos pelo Natal, ajudei a mulher num embrulho especial, o da minha afilhada. A minha querida esposa teve a ideia de arranjar uma caixinha toda gira para colocar uma nota dentro - sim uma nota, para mim é a melhor prenda que se pode dar, quem recebe compra o que quiser, nunca dá stresses - mas não encontrámos nada, por isso eu predispus-me a fazer uma, ou melhor, a decorar uma. Apesar de que para mim um envelope chegava muito bem.

Caixinha de madeira decorada com tecido

Comprámos uma caixinha de madeira sem qualquer tratamento que decorei com tecido, da mesma forma que os vasos pequenos da horta vertical. Comecei por pintar a caixinha de branco com tinta para parede e deixei secar umas duas a três horas. Depois lixei o interior da caixa para lhe dar um toque shabby chic e forrei o exterior com tecido. Para a tampa escolhemos um tecido de cor avermelhada com desenhos de coroas em branco, e para a caixa um tecido com um tom creme com umas bolinhas mais acastanhadas. O verniz cola levou mais duas ou três horas a secar. No final aparafusei os apliques metálicos que tinha retirado para pintar.

Caixinha pintada de branco por cima do tecido decorativoCaixinha aberta com o presente dentro

Todo o trabalho foi feito num dia, ainda pensei deixar a secar para o dia seguinte mas a mulher gritou-me que não podia ser. Só percebi o porquê de tanta pressa às 12h do dia seguinte quando ela me disse que às 12h30 tínhamos almoço marcado com os pais dela.

Sobre o stress da mulher com a roupa, não comento. Só digo que não me importo nada de acompanhá-la às compras um dia inteiro e que gosto de a ver experimentar roupa. Neste ponto acho que eu é que sou a gaja e ela o gajo. Uma hora a experimentar roupa e farta-se. Já eu dá-me um gozo tremendo entrar numa loja, pedir todas as opiniões e mais algumas às senhoras, experimentar toda a roupa ao ponto de deixar a loja numa balburdia e, no final, não comprar nada.

Enfim, o Natal já lá vai e o miúdo delirou com as prendas. Foi uma risada vê-lo todo doido sem saber para onde se virar. Realmente com crianças o Natal tem outro sentido.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O que tenho andado a fazer

Cucu! Pensavam que tinhamos fugido? Na-na-ni-na! Aqui estou eu para vos fazer o ponto de situação e trazer-vos novidades diversas desde a última vez.

O meu aniversário

Na sexta-feira, dia 21, fiz anos. Quantos não interessa. Vocês deram por ela? Não?! E sabem porquê? Porque ao contrário do que eu fiz no seu aniversário, o meu querido esposo não se dignou a fazer a mais pálida alusão ao meu aniversário aqui no nosso blogue. É que não receber um presente dele já estou habituada. Nem me levar a jantar, nem nada dessas "mariquises". Eh pá, mas escrever uma frasezita de parabéns era o mínimo. Enfim, homens. Foi isso e o fim do mundo. O raio dos Maias tinham que acertar no dia para que as pessoas dessem mais importância a isso do que ao meu aniversário. E depois, cúmulo dos cúmulos, afinal não aconteceu nada. Inadmissível.

O sábado de Natal


Árvore de Natal com as prendasEmbrulho de natal

Um caos. Passei o dia a correr de loja em loja para comprar as últimas prendas sem fazer a mínima do que comprar. Eram as horas a passar e o stress a aumentar. Depois foi embrulhar tudo, distribuir por sacos conforme as famílias e fazer as malas para ir passar o Natal com a família do marido no dia seguinte. Queria fazer uns doces para levar. Era o fazias. Comprei um bolo mármore e uma tarde de maçã e está feito. Pode ser que não dêem pela embalagem de plástico e pensem que é tudo caseirinho. Deves. No pânico era eu para o marido:
- Olha, podes fazer isto?
- Faço amanhã.
- Olha, podes arrumar aquilo?
- Arrumo amanhã.

O dia seguinte


Salsa a crescer

Domingo de Natal de manhã. Temos uma festa de aniversário do nosso priminho mais novo antes de partir para a terra do maridinho. Antes disso, almoço em casa dos meus pais. O universo inteiro sabia que íamos almoçar em casa dos meus pais. O meu marido não. Eu corro para terminar as malas. Corro para preparar o cachopo. O marido rega a horta. Corro para fazer o almoço dele para levar. O marido olha para a salsa a crescer. Corro. O marido vê o almoço do miúdo na lancheira.
- Vamos almoçar a algum lado?
- ...
- É que vi ali as taças com o almoço do menino...
- VAMOS! A CASA DOS MEUS PAIS!
- Aaah bom, já podias ter dito! Ando eu aqui descansadinho...
Corro para levar as malas, as prendas, as papas, os brinquedos, as tralhas para o carro. O carro está a andar. Respiro. Chego a casa dos meus pais. Esqueci-me de casaco, pijama e items vários para mim. Enquanto o miúdo fica a brincar com os avós e a tia voltamos a casa. Fomos para a festa. Estava tudo tão espectacular que só estou à espera que a mamã do bebé coloque tudo no seu Chocolate Morno para tirar as ideias. Jantámos já em casa dos sogros.

A vestimenta de Natal

Este ano é que vai ser. Este ano é que vou usar qualquer coisa bonita e elegante no dia de Natal. Sendo a pessoa mais anti-compras-de-roupa-especialmente-em-épocas-festivas porque me faz espécie estar a olhar para aquilo tudo sem fazer a mínima do que me fica bem, deixei para a última. Fui no sábado. Corri o shopping de uma ponta a outra e acabei por comprar UMA CAMISA na Pull and Bear. Desvantagens da camisa detectadas no dia de Natal: fios prateados que se desprendem ao mínimo movimento, brilhantes nos ombros muito atractivos para um miúdo de nove meses. Quando for à máquina de lavar acho que vai ser a loucura.

Dia seguinte ao Natal (Hoje)


Prendas de Natal

O miúdo não fez mais nada o dia todo senão dormir. Com breves paragens para mudança de fralda e alimentação. Coitadinho. Nunca se negou à brincadeira estes dias todos. Agora tem que carregar as baterias. Eu não fiz mais nada senão tornar a casa novamente transitável. O marido foi tratar da horta que esteve três dias sem manutenção. Já temos uma data de novidades da horta para vos contar, mas fica para os próximos dias.

Podia falar-vos da maratona de Lego até às tantas, nas compras de ultíssima hora de segunda-feira ou na música que foi o hit deste Natal, mas isto já vai longo. O importante é que passámos estes dias com a família com muitos momentos de alegria e com o nosso piolhinho sempre bem disposto. E isso é o que interessa.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Cachorrinhos dorminhocos

Viva amigos! A mulher tirou o dia para tratar dos enfeites natalícios e encarregou-me de escrever o post de hoje, mas deu-me uma moleza tão grande que fiz ronha todo o santo dia mais o pequenote.

De manhã tomámos o pequeno almoço e voltámos todos para o quentinho dos cobertores. Eis que estávamos tão bem a dormir o segundo sono quando fomos acordados repentinamente com o bater dos martelos, literalmente. Não sei como é que neste prédio há tanta obra para fazer. Já lá vai quase um ano e o raio dos martelos não descansam. Ontem, o raio da vizinha do lado esteve a ver a Casa dos Segredos até ao último minuto com o som da televisão no máximo. O som estava tão alto que fiquei com dor de cabeça de tanto ouvir a vozinha esganiçada da Teresa Guilherme. Como se isso já não bastasse, hoje, o grupo sinfónico da martelada, com participação especial do grupo coral dos instrumentos eléctricos, decidiu actuar nos pisos de baixo. Escusado será dizer que com isto tudo fiquei maldisposto... mais do que o normal!

Cachorrinhos dorminhocos

Felizmente, depois de almoço já não se ouviu mais a música e como de costume a fofuxa adormeceu o miúdo. Enquanto isso eu andei às voltas com a minha má disposição. Ao fim de quinze minutos o miúdo deu um ai de quem não queria dormir mais. Como estava por perto, eu fui tentar sossegar o menino para variar. Molengão, tirei o piqueno do berço para a nossa cama, enrosquei-me nos cobertores mais ele e brincámos ao dorminhoco. Não sei quem adormeceu primeiro, se eu se ele. Só sei que dormimos uma bela sesta os dois.

Pouco antes da hora do lanche o miúdo acordou-me e continuámos na ronha, mas desta vez a ver os bonecos, eu deitado e ele sentadinho com a cabeça inclinada sobre mim. Ainda ficámos assim um bom bocado. O piqueno esteve tão sossegadinho que nem sei se adormeceu outra vez ou não. Eu vi os bonecos. Quando a mamã foi espreitar ficou a pensar que estivemos os dois a ver televisão a tarde toda.

E pronto, já lanchámos, a esposa já voltou a adormecer o miúdo e eu já escrevi o post que prometi, ou mais ou menos. O assunto de hoje era para ser as tabuletas da horta vertical mas agora fica este. Mas também está bom assim. Agora vou passar a bola para a mulher e vou brincar outra vez ao dorminhoco com o miúdo.

Imagem de Good-wallpapers.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Pais galinha

Mãe galinha com os pintainhos debaixo das asas

Não sei como está no resto do país, mas aqui está um frio de rachar, daquele que congela os ossos. Mal sinto os dedos. O isolamento desta casa é fraco e não temos aquecimento central, por isso, para nos protegermos do frio, refugiei-me mais o marido e o miúdo no nosso quarto, com aquecedor, televisão e um monte de cobertores. Só saímos para as refeições.

Esta manhã, quando o miúdo acordou, tomámos todos o pequeno-almoço e voltámos novamente para o choco com o pintainho, como uns pais galinha. Hoje vai ser assim todo o dia. É nestas alturas que me apetece emigrar para o Brasil, que tem sol, calor e alegria todo o ano.

Imagem de Confraria Teológica Logos e Mythos.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Só a ti? Eu avisei!

Como o meu irmão costuma dizer, eu até me apago. Estava-se mesmo a ver que mais dia menos dia isto iria acontecer. Mas a culpa é minha! Eu é que fui na léria da mulher, que temos que poupar e tal, a vida está cada vez mais difícil, o dinheiro vai todo para os impostos... tudo verdades! Mas bolas, nem oito nem oitenta. Está certo que devemos poupar, mas daí às coisas avariarem e uma pessoa deixar arrastar porque é agarrada, tenham lá paciência. Para mim tudo o que não funciona e não tem arranjo é lixo, e lixo recicla-se ou trata-se. É que a mulher nem me deixou tentar arranjar o micro-ondas velho. Ficou preocupada de eu o estragar ainda mais. Dá para acreditar? Mais?! Então o raio do aparelho já está avariado, o pior que pode acontecer é continuar avariado.

Micro-ondas novo

Mas pronto! Depois do descuido já não houve voto na matéria, comprei um micro-ondas novo, baratinho para ela não me melgar muito a paciência. Mesmo assim quando instalei o dito cujo na cozinha...
- Oh! Este micro-ondas só diz médio, muito alto e máximo, não tem os valores como o velho.
Oh pá, não posso! O sangue subiu-me à cabeça e gritei:
- Mas será possível?! Não querias barato? Barato é assim!
É difícil compreender esta mulher! Quer tudo do bom e do melhor por cinco tostões. Sempre que eu vou comprar alguma coisa acha logo que eu vou trazer o mais caro que encontrar porque isso é que é bom. Farto-me de lhe dizer que o barato às vezes sai caro, mas por muito que repita ela não percebe. Como apaixonado pela bicicleta todo terreno, desde cedo percebi que o barato não dura muito, e que o muito caro só serve para nos gabarmos em frente aos amigos que a nossa bicicleta tem menos meio quilo do que a deles. O que eu pretendo dizer com isto é que devemos procurar sempre a melhor relação qualidade-preço. Mas quem é que lhe mete isto na cabeça?

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Só a mim - parte II

O dia de segunda ganhou um novo fôlego quando o marido disse que já estava de férias, mas claro que eu tinha que fazer das minhas para o dia acabar em beleza. O episódio da Gabriela dessa noite ficou-me caro. À volta de quarenta euros. Coisa pouca.

Esterilizador derretido

Há coisa de três ou quatro semanas o temporizador do micro-ondas da senhoria avariou-se. O marido acha que um micro-ondas sem temporizador não serve e quis logo comprar um novo. Poupadinha que sou, disse-lhe que não era preciso. Bastava estar atenta ao relógio de cozinha. Trinta segundos para descongelar o pão, um minuto para aquecer o leite e a sopa do bebé e sete minutos para esterilizar os biberões.

Na noite de segunda para terça acabei de arrumar a cozinha, pus os biberões a esterilizar, vi as horas para cronometrar sete minutos e fui para a sala pôr o computador a aquecer os reactores. E pus-me a pensar com os meus botões: ora bem, tenho que enviar um email, escrever o post de amanhã...
- Tens os biberões a estrelizar?! Vê lá as horas!
- Sim, eu sei, está tudo controlado. Vou começar a escrever o post para amanhã.
Mas antes de me concentrar na escrita...
- Ah cutxi-cutxi, meu fofinho! Sossegas agora um bocadinho?
- Vá, concentra-te no post que eu vou brincar com o pioninhas um bocado.
- Olha, já começou a novela!
Viram o episódio de segunda-feira à noite? A Gabriela foi ao circo às escondidas. Ai quando o Sr Nacibe descobrir. Vai dar dar esturro, pensei eu. O pensamento foi tão forte que até me cheirou mesmo a queimado. Depois a Malvina quase se deixou enganar. Já viram isto? Até aquela criatura vai na canção do bandido! E pronto, terminou o episódio.
- Acho que temos que mudar a fralda ao piqueno. Enquanto eu faço o biberão tu mudas-lhe a fralda.

Biberão de vidro intacto no meio do plástico derretido
Uma chupeta derretidaBiberão de vidro envolvido pelo plástico derretido

Assim que abro a porta da cozinha, c'um caneco! Esqueci-me do micro-ondas! Tudo derretidinho e uma fumarada mal-cheirosa a invadir a casa toda. Um biberão de plástico, dois de vidro, uma chupeta e o esterilizador, só o vidro ainda estava intacto. O que vale é que deixei dois biberões de fora desta alhada. Dois biberões de 120ml, tive que preparar os dois para conseguir dar 180ml ao miúdo. Mas depois fiquei o resto da noite enervada por me ter esquecido e pelo prejuizo que foi. O marido só dizia que bem me avisou, que o barato sai caro e que devia ter comprado logo um micro-ondas quando o temporizador se avariou. Enervado com a situação, disse também que se ia levantar de madrugada para comprar um micro-ondas novo. Não sei porquê, o micro-ondas velho ainda funciona!

Com isto tudo o cachopo despertou e já não conseguiu adormecer. Foi até às tantas. O marido não foi às compras de madrugada, foi só à tardinha. De qualquer forma o problema ficou resolvido. Agora fiquei com este monte de plástico derretido misturado com vidro para recordação. Só a mim.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Só a mim

O dia de ontem começou como qualquer segunda-feira desde que estou em casa com o nosso menino. Tomo o pequeno-almoço com o marido, ele sai para mais um dia de trabalho e e vou trocar a fralda do miúdo, alimentá-lo e pô-lo a dormir mais um bocadinho. Trato de alguns afazeres domésticos e já está na hora de dar o almoço ao pequenino e fazer o almoço para nós.

Pateta

O marido chega para almoçar. Tudo normal. Fala da sua manhã de trabalho, dá uma vista de olhos na horta, um beijo ao filho e volta para o trabalho. Às seis da tarde, estava o menino a dormir a sesta e chega ele a casa com cara de caso.
- Oh, amor. Tenho uma confidência para te fazer.
Passou-me de tudo pela cabeça, mas limitei-me a perguntar:
- Então?!
- Lembraste de eu te dizer que só entrava de férias para a semana? Afinal entrava hoje.
- Então hoje já não devias ter ido trabalhar?
- Pois...
Foi como nos desenhos animados. Uns segundos a olhar um para o outro e desatámos a rir até às lágrimas. Parece que deu por ela graças a um colega que lhe perguntou se não devia estar já de férias. Senão ia trabalhar a semana toda sem se dar conta. Cromo. Isto é que se chama amor ao trabalho. Há aquelas pessoas que passam o último mês de trabalho a contar os dias que faltam para o descanso merecido. Outros adoram tanto o seu trabalho que se esquecem das férias. Oh, céus!

terça-feira, 30 de outubro de 2012

O nosso cantinho está de cara lavada

Quando tivemos a ideia mirabolante de iniciar o blogue Uma vaca na varanda, o que queríamos era divertirmo-nos um pouco com a escrita e dar-vos a conhecer a nossa aventura hortícola. Estávamos tão ansiosos por começar que foi um ver se te avias a estudar o Blogger e a perceber como tudo funcionava. Claro que escolhemos um tema que ficasse fofinho e que se enquadrasse no contexto de uma horta na varanda, mas foi um bocado a despachar.

Uma vaca na varanda: espírito Halloween

Agora, três meses e meio depois do primeiro post, temos o prazer de apresentar a nova e melhorada imagem d'Uma vaca na varanda, também ela inspirada no estilo de decoração shabby chic. Sempre no sentido daquilo que temos vindo a fazer na varanda, leve, elegante e com um bocadinho da nossa personalidade à mistura. Claro que tudo isto não seria possível sem a dedicação da nossa designer preferida, a minha maninha, que teve uma verdadeira paciência de Jó para aturar os nossos devaneios. Ela vai continuar por cá a ajudar-nos nestas coisas dos gráficos, fazendo tudo o que é relativo à imagem do nosso espaço. E como não podia deixar de ser, esta semana a nossa mascote entrou no espírito do Halloween. Nos próximos dias vai estar assim, com companhias mais ou menos tenebrosas.

Espero que gostem. Em breve vamos ter outras surpresas, mais construções e quem sabe mais tropelias também.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Planificação da horta

- Chamaste fofinha?
- Chamei! Os vasos não podem ficar assim, perdidos no chão e pronto. Isto não é nada Shabby Chic.
Realmente depois de tanta dedicação a aprimorar os vasos, de transformar o rústico desinteressante numa peça requintada e chamativa, faz todo o sentido organizar a horta de uma forma mais glamorosa. Mas antes disso, deixem-me saborear na varanda um cálice de vinho do Porto enquanto aprecio a obra já feita.

Por falar em vinho do porto... em 2001, o Alto Douro Vinhateiro foi classificado pela UNESCO como património da humanidade, na categoria de paisagem cultural ou qualquer coisa parecida [1]. É como quem diz que esta região do nordeste de Portugal é caracterizada por uma grande tradição cultural, um exemplo de interação humana com o meio ambiente que marcou a paisagem de uma forma única. Um tipo de construção com um valor arquitectónico inestimável, não viável economicamente nos tempos que correm [2], que conta a história de um povo de trabalho.

Sabem a que me refiro? A uma forma tradicional de cultivo, à arte de esculpir as íngremes encostas do Douro com patamares de terra sustentada por muros de pedra, como se de uma escadaria se tratasse, a um produto de séculos de trabalho árduo... aos socalcos. Uma das mais dramáticas e inspiradoras paisagens vínicas do mundo, completamente vulnerável sob esta economia impiedosa, que se não for protegida estará condenada ao desaparecimento.

Socalcos tradicionais
Clique na imagem para ampliar

Pois bem minhas senhoras e meus senhores, em homenagem a este vinho que tanto aprecio e à região onde é cultivado, os 0,75 metros quadrados a que a horta tem direito na nossa varanda serão cultivados em escada. É isso, parece-me bem construir umas escadarias em madeira para suportar a floreira que já temos e as outras duas que teremos muito brevemente.

Uma janela com vista para o douro vinhateiro Vindima
Homem a carregar as uvas às costas num balde grande Barco Rabelo
Margens d'ouro Comboio antigo Douro a cima
Imagens de: traga_mundos, Douro Valley, Universidade do Porto, Croft Port

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Borda d'Água: O verdadeiro almanaque

Uma vaca na varanda lê o almanaque Borda d'Água, reportório útil a toda a gente

Calma! Antes deste homem começar a semear e a plantar permitam-me que vos apresente o mais velhinho almanaque que conheço. Aliás, como está bem patente na capa do pequeno livrinho, "O verdadeiro almanaque, Borda d'Água, reportório útil a toda a gente para 2013, contendo todos os dados astronómicos e religiosos e muitas indicações úteis de interesse geral".

Editado desde 1929 pela Editorial Minerva, o almanaque Borda d'Água tem actualmente o preço de dois euros - as revistas cor de rosa devem custar sensivelmente o mesmo por semana/mês e não têm tanta informação útil para o nosso projecto - e é leitura obrigatória de qualquer agricultor, principalmente para iniciantes como nós. Para quem não conhece, este livrito é pouco maior que uma folha A5 e tem precisamente vinte e três páginas (capa incluída), em que doze delas, uma por cada mês do ano, têm informações úteis sobre astrologia, agricultura, jardinagem e animais, das quais destaco as relacionadas com a horta, especificamente quando e o que plantar. Porreiro não? Nas restantes onze páginas o Borda d'Água aborda outros assuntos interessantes. Na capa tem o calendário do ano 2013, o que é sempre útil, e nas outras tem coisas como os dias e nomes dos feriados e festividades, fases da lua e a tabela das enchentes e vazantes das marés, eclipses, festas e feiras, pequenos textos e pensamentos moralizadores e sabedoria popular.

Mas o que queria mesmo partilhar convosco é o significado que o Borda d'Água tem para mim. Se não me falha a memória este foi dos primeiros livros que li ou com o qual tive contacto, tirando os livros escolares, claro. O meu avô materno não prescindia da sabedoria publicada todos os anos por este almanaque. Lia interessadamente cada palavra com os óculos postos com ar inteligente. Agora percebo onde é que ele se inspirava para me cantar o fadinho quando eu fazia traquinices. Valores que nesta era moderna em tempo de crise todos parecem esquecer. Valores transmitidos de pai para filha, de avô para neto, de mãe para filho, que eu ouvi e ainda ouço vezes sem conta. Pequenas frases populares carregadas de significado. Frases como li ao desfolhar a edição do Borda d'Água de 2013 que orgulhosamente adquiri, e que me fizeram refletir nesta vida que por vezes chamamos de ingrata. Frases daquelas que agora circulam nas redes sociais, que muitos jovens leêm mas parece não sentirem, mas que mesmo assim valem a pena repetir.

"Se um homem procura numa vida boa algo para além dela, então não é a vida boa que procura" - Plotino.

"Filho és pai serás, conforme fizeres assim acharás"

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

É tudo muito lindo, mas afinal o que vamos plantar?

Milheiral

Com tantas decorações e limpezas andamos a esquecer-nos do que realmente importa: a nossa horta! Já temos a varanda com as condições climatéricas e de limpeza ideais, e temos os vasos decorados a preceito - só temos um pronto, mas os outros para lá caminham - para receber as primeiras plantações. Nesta fase só falta mesmo decidir um pequenino pormenor, que hortícolas, leguminosas e outros vamos querer plantar na nossa horta. Pus-me a pensar, a pensar, a dar voltas à cabeça...
- Oh mulher, não penses mais. Vamos plantar milho até ao tecto!
- Milho até ao tecto! Mas porquê?
- Para alimentar a vaca, para mais é que havia de ser?
Ora o milho pode ser usado em variadíssimas receitas culinárias como o arroz de milho, a massaroca ou a pipoca. As barbas de milho fazem um belíssimo chá que é óptimo para os rins. É verdade que também serve para encher a barriga dos animais ruminantes como a nossa vaquinha, e pode perfeitamente ir até ao tecto que a varanda do andar de cima não fica assim tão longe quanto isso. Até que tem o seu interesse, o miúdo podia brincar às escondidas com os pais por entre os pés de milho e tudo.

Pois, isto é tudo muito giro mas se calhar esta ideia de plantar milho até ao tecto não é a mais recomendável para quem, como nós, quer que a horta sirva de complemento ao que temos que comprar todos os dias no supermercado para fazer as refeições. E depois não me está a apetecer muito enfardar massarocas todos os dias ao jantar. Pronto, toca a riscar da lista e a pensar em alternativas. Assim de repente, estou a lembrar-me de umas ervitas aromáticas como salsa, hortelã, mangericão, alecrim, cidreira e cebolinho. Só isto já me vai encher seis vasitos. Mas ainda queria plantar coisas mais substanciais como espinafres, tomates e morangos mas isso tem que ser numas floreiras ou algo assim para o maiorzito. Ai, que agora me veio à cabeça a senhora do matacão de três quilos, credo!