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sábado, 5 de janeiro de 2013

Culturas da horta vertical identificadas

Ora viva pessoal! Parece que a minha querida esposa me promoveu a animal territorial. Em vez de Bob, o construtor, agora sou Leão, o macho alfa. Brutal! Eu até explicava o meu ponto de vista, mas o conceito de organização desorganizada é uma coisa de homem que mulher nenhuma consegue entender. Só tenho a dizer que esta mulher arruma tudo tão bem arrumadinho que depois nenhum de nós sabe onde está! Ou seja, lá no fundo ela faz o mesmo que eu, mas em vez de deixar tudo à vista, esconde tudo bem escondido. É tipo uma desorganização escondida, uma coisa de mulher que homem nenhum consegue entender. Enfim, também te amo muito minha leoazinha. Grrr.

Vasos com cebolinho, coentro e tomilho devidamente etiquetados

Voltando ao assunto das etiquetas dos vasos da horta vertical, as diferentes culturas já estão todas identificadas. Temos então nove vasos, três com salsa, dois com alecrim e nos restantes quatro colocámos hortelã, cebolinho, coentro e tomilho. As culturas repetidas não tiveram direito a placa identificativa.

Painel da horta vertical com as várias culturas identificadasVaso com coentro devidamente etiquetado

Mas espera aí... sete mais um são oito e não nove. Bolas! Fiz mal as contas. Falta-me fazer mais um suporte para as etiquetas. Dormente! Como é que eu fiz tal coisa? Bem, não é grave, logo faço outro.

Como podem verificar, a horta vertical está a ficar composta. No meio do branco e do azul já se vê algum verde. Apesar do frio as culturas têm crescido alguma coisa, muito poucochinho, mas crescem. Segundo a lista das ervas aromáticas que a mulher escolheu para a horta vertical ainda falta cultivar manjericão, cidreira e malagueta, em principio nos vasos que acomodam agora culturas repetidas. Outrora num dos vasos crescia goji que infelizmente não aguentou as trocas baldrocas que fiz inicialmente com os vasos e morreu, dando lugar a uma nova experiência agora com o alecrim. Os coentros caíram do céu. Depois de toda a pesquisa que a mulher fez sobre as ervas aromáticas passei um dia no supermercado e comprei quatro sementes de que me lembrei. Acertei no cebolinho e no tomilho e errei no coentro. Quanto à última escolha, nem acertei nem errei, comprei semente de salsa.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Suporte da etiqueta dos vasos da horta vertical

Ora vamos lá ver como funciona o sistema de encaixe das etiquetas dos vasos da horta vertical. Em vez de um pé, a placa de madeira tem uma espécie de perno que encaixa numa outra peça de madeira, moldada a partir de um bocado de ripa de palete - o que mais haveria de ser - segurada na argola com abraçadeiras de plástico.

Suporte da etiqueta dos vasos da horta vertical

Como podem ver, o sistema de encaixe que engendrei é bastante simples e eficaz, tal como se queria. O suporte fica fixo na argola e a etiqueta é amovível. Desta forma trocar as etiquetas é fácil, podemos por isso alterar a posição dos vasos à nossa vontade, apenas temos que desencaixar o vaso e a etiqueta da argola e encaixá-los noutra argola. Se plantarmos ou semearmos algo novo num vaso também não há problema, só é preciso criar uma etiqueta nova. Haja paletes e ramos de oliveira.

Sistema de encaixe da etiqueta no suporte

Mas o que eu realmente gosto neste sistema de fixação, é o facto de poder rodar a etiqueta. Percebem porquê? Não?! Eu passo a explicar.

As argolas que suportam os vasos no painel da horta vertical foram criadas assim de uma forma um bocado arcaica, por isso não ficaram lá muito niveladas. Para além disso o suporte de madeira das etiquetas não foi moldado com muita ciência. Ou seja, quando testei o sistema e juntei as peças o resultado foi ficar tudo assim um bocado para o torto, o que não podia ser. No momento imaginei logo a mulher a olhar para os vasos e a gritar: ESTÁ TUDO TORTO. O pensamento foi tão forte que até estremeci. Foi então que me surgiu a ideia de utilizar um único ponto de encaixe da etiqueta com o suporte, de forma a poder disfarçar a coisa e deixar tudo alinhadinho ao olho da mulher.

Mais sete suportes e umas quantas etiquetas, cada uma com um nome de uma cultura diferente gravado, tudo montado e a horta vertical vai ficar ainda mais gira.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Etiqueta dos vasos da horta vertical

Este post já estava planeado há mais de um mês! Entretanto a mulher virou para os enfeites natalícios e as etiquetas dos vasos da horta vertical ficaram em standby. Porém acho que já está mais do que na hora de voltarmos ao assunto da nossa horta-jardim de varanda. Desde então já temos muitas novidades sobre as culturas. Mas antes apresento-vos então o protótipo da etiqueta dos vasos da horta vertical, ou a aparência final, vá lá.

Etiqueta dos vasos da horta vertical

O que acham, está bonito? Basicamente é igual à tabuletas das floreiras mas sem pé. Como os vasos são pequenos, pessoalmente gosto mais de ver a etiqueta de madeira no alinhamento da argola, em vez de uma tabuleta espetada na terra. O segredo aqui é a forma que engendrei para segurar a placa de madeira na argola. O sistema é composto por duas partes que encaixam uma na outra. A ideia é podermos trocar as placas facilmente, desencaixando e encaixando conforme entendermos melhor. Hoje o vaso tem salsa, amanhã poderá ter outra erva aromática qualquer, por exemplo rosmaninho. Não sei o que é mas gosto da palavra.

Ficaram curiosos para saber como funciona? Amanhã explico como é que fiz. Sei que é habitual não publicarmos nada no blogue ao fim-de-semana, principalmente ao Domingo, mas apetece-me dar palha à vaca.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Saí para comprar lã. Voltei de vistas lavadas

Ontem não me atrevi a sair de casa. Viram bem o temporal que estava? Só sairia para uma urgência mesmo urgentíssima. E com tantas voltas que tinha para dar, valha-me Deus. Tiveram que ficar para hoje, querendo o referido que faça bom tempo, que os sítios onde tenho que ir estejam todos abertos ao sábado e que eu tenha tempo e boa disposição para tanta coisa.

Bom, mas na anteontem foi diferente. Anteontem saí para ir comprar lã para pompons. O marido criou a sua super máquina de fazer pompons e pronto. Deu-lhe umas ganas para fazer pompons que estava a ver que não havia lã na loja que o acalmasse. Lá saí eu disparada com um aviso de trazer pelo menos mais quatro novelos. Trouxe dois. E poupa.

Aproveitei para dar uma voltinha a pé pelas lojas do centro que já há muito que não o fazia. Reparei que muitas daquelas lojas que já deviam ter séculos foram completamente remodeladas e ficaram com um aspecto super moderno e acolhedor. Daqueles que dá vontade de entrar só para ver a disposição da loja, o brilho, os detalhes. Uma dessas lojas foi a Zara Home. Sabia que existia mas nunca tinha entrado numa. Até ontem. Tudo organizado ao ínfimo pormenor. Não havia um porta-guardanapos fora do sítio. E depois dispõem as coisas de maneira a dar ainda mais destaque às cores. Os lilases no meio dos transparentes. Os verdes no meio dos brancos. Lindo, lindo. Não comprei nada que aquilo não é bem para o meu bolso mas vi lá dois ou três pratitos para o pão que me saltaram à vista.


Agora que ando toda virada para os crochets à conta dos flocos de neve que ando a fazer para a nossa árvore de Natal, este tipo de coisas saltam-me à vista. E aquilo era mesmo crochet do puro mas depois deve ter sito banhado a uma nhanha qualquer para ficar rijo. Virei o prato para ver o preço a pensar que seria um balúrdio por ser todo feitinho à mão e tau, 3.99€. Suspeito que não deve ter sido feito à mão.

E pronto, foi o meu passeio de anteontem. Voltei para casa com dois novelos de lã, que o marido transformou em pompons em 32 segundos. Ontem e hoje dedico-me aos flocos de neve nos espacinhos que tenho das lides domésticas. Já quase que os faço de olhos fechados. Quase.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

A nossa primeira árvore de Natal

Uma semana depois de nos propormos a construir a nossa própria árvore de Natal com materiais reutilizáveis, cá está ela. O nosso mais recente motivo de orgulho. O marido precisou de quatro dias enfiado na oficina do irmão, mas está feita. Bem, também não foram bem os quatro dias, foram mais umas horitas aqui e ali. Na verdade o marido até atingiu o objectivo bem mais depressa do que eu esperava. Está de parabéns.

Peças da árvore de natal

Estão perante vós um suporte com rodas, vinte rodelas, quarenta ripas e um cone para o topo. Tudo isto feito com ripas de paletes reaproveitadas e umas rodas que o meu cunhado nos empresta-deu. Pelas minhas contas, o construtor deve ter usado metade do tempo a cortar a ripas - o que lhe valeu foi a serra eléctrica do padrinho - e a outra metade a lixá-las de maneira a ficarem com este acabamento espectacular. É que até arredondou as pontas das ripas e tudo.

Árvore de natal - estilo plano.Árvore de natal - estilo espiral.Árvore de natal - estilo entrelaçado.

Depois foi só montar o puzzle e escolher o estilo que mais nos agradasse. Plano, em espiral ou entrelaçado. Optámos pelo entrelaçado que é o mais tradicional. Agora vou continuar com a produção em série de pompons, sininhos e flocos de neve. Por falar em pompons, lembram-se que o marido se dedicou a essa parte dos enfeites? Eu expliquei-lhe como faço com dois cartões em forma de círculo e ele pôs mãos à obra. Fez dois. Depois disse que dá muito trabalho e que ia construir uma máquina para fazer pompons em série. Pensei logo: pronto, vai passar o dia nisto e no final vou ter que ser eu a fazer os pompons. Mas vá lá que não. Passado um bocado apareceu-me com o berbequim, um bocado de madeira e uns pauzitos. Foi vê-lo a enrolar a lã na engenhoca e a fazer pompons como se não houvesse amanhã.

Máquina de fazer pompons

Entretanto a minha maninha também me veio dar uma mãozinha para fazer os sininhos. O crochet é que tem que ser mesmo comigo. Tenho cinco flocos feitos até agora. Vou fazer os que puder até ao Natal. Não tarda nada já mostro como está a ficar a decoração. Me aguardem. Ainda queria ver se desencantava um manual para fazer um anjinho em crochet para o topo, mas acho que o tempo já não vai chegar para tanto. Não parece nada bem andar a pendurar enfeites na noite de Natal, certo?

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Isolando as tabuletas

Recentemente criámos umas tabuletas para identificar as culturas da nossa horta de varanda. Entretanto, o nosso seguidor Jardineiro do Rei teve a amabilidade de nos advertir para a possibilidade da estaca das tabuletas apodrecer rapidamente com a humidade. E já sabem como o meu homem é. Aquilo ficou-lhe entalado e teve que arranjar solução para salvaguardar o trabalho todo que teve com as tabuletas.

Tabuletas com as estacas isoladas

Desde que nos casámos que tive que aprender a conviver com tralhas e coisas de gajo que para mim não serviam para nada, mas que ele diz sempre que são indispensáveis a qualquer chefe de família para pequenos arranjos e improvisos domésticos. Com o tempo tenho ficado mais tolerante com essas tralhas que teimam em atravessar-se no meu dia-a-dia, pois já percebi que dá mesmo jeito ter algumas por perto. É o caso da manga retráctil. Mais outro termo que só conheci graças ao marido. Aquilo é uma espécie de tubo preto de borracha que se compra de vários diâmetros. Ele comprou para as suas invenções ao nível da electricidade. Quem diria que agora iam dar jeito também para a agricultura.

Manga retráctil preta de vários diâmetros
Retrair a manga no bico do fogãoIsolar o bico da estaca com fita adesiva

Foi só procurar uma manga retrátil com um diâmetro ligeiramente maior do que o da estaca da tabuleta e cortá-la no comprimento certo. Depois o marido aqueceu-a no fogão. Com o calor a manga vai encolhendo e fica justinha ao que tem por dentro - as coisas que eles inventam - depois enrolou a ponta que se espeta na terra com fita isoladora. Não sei se vai evitar por completo que a madeira apodreça, mas de certeza que é uma ajuda. Logo veremos se as estacas das tabuletas se aguentam firmes e hirtas.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Horta das tabuletas

As tabuletas identificadoras das culturas da nossa horta estão terminadas! Foi um ver se te avias com tanta coisa para fazer, mas com dedicação e vontade tudo se fez. Ou vá lá, quase tudo. Ainda falta envernizar duas tabuletas. De qualquer forma, foi uma autêntica maratona que o meu fofuxo fez, coitadinho.

Horta com tabuletas

A tabuleta dos espinafres já estava concluída. Seguimos o mesmo processo de construção para as tabuletas dos tomates e dos morangos. Pelo meio ainda nos deparámos com uma dúvida ao nível do português, que por pouco não deu molho. Para mim as palavras deviam ficar no plural: "Espinafres", "Morangos" e "Tomates". Para ele fazia mais sentido no singular: "Espinafre", "Morango" e "Tomate". Não gostei. Como lhe mostrei logo o meu desagrado por esta opção, ele tratou logo de arranjar outra, no mínimo invulgar: "Morangueiros", "Tomateiros" e... Espinafreiros?! Credo, valha-nos Deus! Vamos lá a descomplicar. Fica "Espinafres", "Morangos" e "Tomates" e não se fala mais nisso.

Tabuletas espinafre, morangos e tomates

O problema é que, na altura em que mostrei quem manda cá em casa, já ele tinha gravado a palavra "Espinafre" e envernizado toda a tabuleta. Diz ele que agora que está pronta já não há nada a fazer, que não pode acrescentar um "s" por cima do verniz. Cá para mim podia, mas pronto. Vou deixá-lo mandar também um bocadinho. Resultado: depois disto tudo ficámos com a maravilhosa conjugação de "Espinafre", "Morangos" e "Tomates". Muito coerente, sim senhor.

Tabuleta espinafreEspinafre
TomateirosTabuleta tomates
Tabuleta morangosMorangueiro
Rebento de morangueiro

Pronto. Temos todas as culturas dos socalcos identificadas para não haver cá enganos. Agora quando alguém vier visitar a nossa horta e perguntar o que temos plantado já podemos responder de peito cheio: "É só ler as tabuletas".

Por causa das manias, para os vasos da horta vertical não se vão repetir estas confusões gramaticais. Fica já aqui decidido que vai ser "salsa", "hortelã", "goji" e por aí fora. Não há cá "salsas" nem "hortelãs" para ninguém.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Tabuletas para a horta: construção

Depois de horas esquecidas de volta de plaquinhas de madeira e pauzinhos, o nosso construtor de serviço começou finalmente a criar as tabuletas para identificar as culturas da nossa horta. Mas antes de juntar as peças primeiro escreveu a palavra identificativa da cultura na placa de madeira. Estava eu já a dar voltas à cabeça a pensar com que material é que podíamos inscrever o nome das culturas na madeira, quando ele me descansou o espírito e me disse logo que já tem tudo pensado, sacando do ferro de soldar estanho. O que vale é que este homem tem tudo o que precisa cá em casa para desenrascar a obra, ou vá quase tudo.

Tabuleta espinafre

Ainda rabiscou num papel vários tipos de letra para avaliarmos qual ficava melhor, mas já estava tudo mais que decidido nas nossas cabeças. Para um estilo shabby chic só fazia sentido usarmos um tipo de letra clássico e escrito por nós. Nada daquelas letras gravadas com ferro todas iguaizinhas. Viva a diversidade! Fizemos um teste rápido com a nossa antiga escrita da primária, mas não gostei nada de ver a letra "f" da palavra "Espinafre" escrita da forma manual. Por isso escrevemos essa letra numa versão à máquina. Fica uma mistura, mas eu acho que resulta muito bem assim.

Ferro de soldar e tabuleta

Para ter a certeza que escrevia tudo direitinho, o fofuxo desenhou quatro linhas paralelas a lápis e escreveu a palavra "Espinafre". Foi então que chegou a hora do ferro de soldar e fiquei outra vez toda inquietada, desta vez com receio que ele derretesse algum dedo. Mas correu bem. Com a palavra escrita, e sem erros ortográficos, ele lixou a placa para ficar uniforme.

Palavra espinafre escrita na placa de madeiraPalavra espinafre inscrita na placa de madeira

Depois chegou a altura dos pauzinhos. Cortou-os à medida de maneira a fazer uma moldura em toda a volta da placa. Com cantinhos em esquadria e tudo, olhem só o pormenor. Além disso, arranjou um pauzinho para colocar ao alto por detrás da placa, com uma das pontas afiadas para ser mais fácil de espetar na terra. Colou todas as peças com cola de madeira e, para ter a certeza que secava tudo direitinho, segurou tudo com molas de estender roupa em toda a volta durante uma noite e outro tanto. Como toque final, no dia seguinte envernizou a tabuleta.

Tabuleta colada com molas em volta a pressionarTabuleta espinafre envernizada

Agora é só repetir o mesmo processo para as tabuletas dos morangos e dos tomates. Com isso teremos as culturas dos socalcos devidamente identificadas. Fica ainda a faltar identificar as culturas dos vasos da horta vertical, mas para essas não quero tabuletas espetadas na terra. Em vez disso quero umas tabuletas igualmente fofas seguradas nas argolas. Estou certa que o homem não me há-de falhar e logo magica uma forma engenhosa de o fazer.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Tabuletas para a horta: preparação da matéria-prima

Só não adivinho o euromilhões. Olha a bela da palete! Acho que enquanto as benditas paletes durarem o senhor meu esposo vai encontrar sempre utilidades para elas. Mas é bom, assim anda entretido. Mostrei-lhe as sugestões que encontrei para as tabuletas da nossa horta e ele ganhou logo inspiração. Vamos criar uns exemplares dentro do conceito shabby chic, completamente artesanais e com o nosso gosto pessoal. Estas tabuinhas e pauzinhos que aqui vêm são muito giros mas ainda deram algum trabalho ao nosso construtor de plantão.

Monte de plaquitas de madeira e pauzitos

Ora então, para criar as finas placas de madeira o engenhocas apoderou-se do torno do irmão e do serrote do padrinho, e refiou uma ripa de palete em folhas de cerca de 3mm de espessura. Muita paciência e jeitinho... Eu já só estava à espera de o ver agarrado à mão a gritar para ligar para o 112. Mas vá lá que não.

Depois procurou uns paus no monte da lenha e encontrou um ramo seco de oliveira. Pegou nele e raspou-o com uma faca para ficar com um aspecto mais uniforme e bonito. De seguida - estava eu ainda a digerir o facto de ele ter serrado uma ripa de palete com 3mm de espessura - sacou de um serrote mais maneirinho e serrou ao meio o pequeno pau. Parecia que estava mesmo a pedi-las. Mas vá lá que até tem algum jeitinho. Ainda hoje me pergunto como é que eu desencantei um marido com tanta paciência para estas coisas.

Refiar ripa de palete com um serrote
Raspar casca de um pauzito com uma facaCortar pauzito ao alto com um serrote

Bom, acho que ele já tem aqui material suficiente para criar umas placas de identificação bem jeitosinhas para a nossa horta. Agora é só juntar todas as peças. Mas bolas, tudo isto foi só para preparar a matéria-prima! Nunca pensei que a construção de umas simples tabuletas para identificar as hortícolas desse tanto trabalho. Oh paciência!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Vamos lá a organizar a horta

Com o avançar da horta, as culturas já vão sendo mais que muitas e começa a ser difícil organizar e distinguir todas as hortícolas que temos plantadas. Ahahah. Fora de brincadeiras, acho que seria engraçado e super shabby chic colocar uma etiqueta ou uma tabuleta em cada vaso e floreira, com a indicação do que lá foi plantado ou semeado.

Estiquetas para vasos feitas a partir de talheres

Muitas mulheres só tomam verdadeira consciência de que se vão casar quando fazem a primeira prova do seu vestido de noiva. Comigo foi assim, um verdadeiro bac, mas no bom sentido. Com isto das etiquetas acho que vou ter uma sensação parecida. Com uma etiqueta a dizer "Espinafre" aqui, outra a dizer "Morango" ali, vou realmente consciencializar-me de que tenho essas hortícolas a crescer na nossa varanda. Ainda são umas amostras de hortícolas com apenas duas ou três folhitas, mas estão lá.

Procurei por exemplos de etiquetas ou tabuletas para vasos com plantas nas quais nos pudéssemos inspirar. Encontrei de tudo, desde talheres gravados, tabuletas de várias cores e feitios até simples paus gravados. Seleccionámos os artefactos de que mais gostámos, algo rústicos como se pretende, para vos mostrar hoje. Gosto especialmente dos talheres gravados, não sei bem porquê, têm ali um je ne sais quoi de romântico. Mas para construirmos algo parecido teríamos que fazer uma busca por talheres antigos nos pertences das nossas queridas avózinhas. Isso, ou voltar à feira de velharias. O problema é que depois não me parece que tenhamos material para gravar no metal o nome das culturas num tipo de letra todo bonito.

Tabuletas de madeira para vasos
Tabuletas de madeira para vasos Etiquetas verticais de madeira para vasos
Etiquetas de pau para vasos

Sendo assim, após um breve tête-à-tête com o marido, decidimos criar as nossas próprias tabuletas identificativas das culturas em madeira. Como sempre, alguma coisa nos há-de ocorrer e, como já é usual, certamente será feita com materiais maioritariamente reutilizados. Não sei porquê, mas cheira-me que as paletes usadas nos degraus e no painel acabaram de encontrar mais uma utilidade.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Ora apreciem lá esta bela peça de artesanato

Gostaram da nossa vaquinha? Ainda não é uma vaca verdadeira, nem dá leite fresco pela manhã, é apenas um mealheiro de barro em forma de vaca, mas por agora já estou satisfeito. Já temos a vaca na varanda! Iupiii!!!

Carro de bois em miniatura
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Continuando a história, quando chegamos a casa dos sogros dela, meus pais, não me contive e fui logo contar a novidade. Foi uma risada geral, o pessoal adorou a vaca e como não podia deixar de ser a nossa horta na varanda foi motivo de conversa quase todo o dia. Vai daí o Rezunga, meu tio padrinho, irmão do meu pai e meu grande amigo, lembrou-se de uma autêntica obra de arte de artesanato que construíra no tempo em que esteve emigrado no Luxemburgo: umas miniaturas de um carro de bois e de dois instrumentos para lavrar a terra, nomeadamente um arado e uma charrua. A nossa vaca mealheiro fizera-o lembrar que ainda lhe falta esculpir duas vacas em miniatura para concluir a obra. Infelizmente em Portugal a vida é mais dura e ainda não lhe deu a oportunidade para libertar o artesão que nele existe.

Arado em miniatura Charrua em miniatura

Pedreiro de profissão, agricultor e inventor nas horas vagas, o Rezunga sempre foi uma referência na minha vida. Quando eu era uma criancinha pequenina - agora sou uma criancinha grande - lembro-me dele ficar até às tantas à martelada na garagem. Desde que o conheço que anda sempre a inventar, não consegue sossegar um momento, só quando a maldita hérnia o manda cansar o sofá. Acho que aprendi isso com ele.

Enfim! O carro de bois trás-me boas memórias. Sou natural de uma aldeia pequenina nos arredores do Baixo Mondego e cresci no seio de uma família com muitas limitações financeiras - não é que agora eu viva à grande, mas pelo menos já conheço mais transportes para além de um burro coto - que retirava boa parte do seu sustento da terra que cultivava. Naquele tempo apanhar batatas, descascar milho, vindimar, etc. era o mais parecido com uma festa que eu conhecia. A entreajuda era constante entre as pessoas mais próximas e sempre que o tio Manel estava presente, o carro de bois era sinónimo de parque de diversões.

Para os mais curiosos, a garrafa que está na imagem não é nenhuma miniatura e tem cinco litros de Whisky dentro.